sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma década de cinema

Em 2012, completo 30 anos de idade. São três décadas de crescimento e experiências. Durante esse tempo, um terço dele foi dedicado à sétima arte, que me ajudou a descobrir várias coisas e definir parte do meu presente. Foi o cinema que me fez conseguir alguns feitos em minha vida e, entre eles, meu aprimoramento na escrita e a minha formação profissional em comunicação em jornalismo.

Desde o meu primeiro texto dedicado ao cinema, em 22 de setembro de 2001, quando escrevi sobre o filme “Corpo Fechado”, pude perceber, de uma maneira crescente, o quanto a sétima arte foi importante e, ao mesmo tempo, um vício.

Todo esse vício começou pelo meu pai, que me influenciou a gostar dessa arte. Ele comprava renomados filmes em fitas de VHS lançadas pelo jornal Folha de S. Paulo e revista Caras. Como eu já tinha manias de fazer coleções (latinhas de cerveja, selo, dinheiro, moedas, bonés...), acabei acompanhando o patriarca e o cinema foi entranhando em minhas veias, o que me fez interessar ainda mais por suas leituras em revistas, jornais e, posteriormente, internet.

Fiquei tão fanático que comprava fitas virgens de VHS para gravar filmes que passavam nos canais abertos da TV, como a Globo, o SBT e a Bandeirantes. O meu ímpeto em colecionar ‘títulos cinematográficos’ não parava de crescer.

Todo lugar que tinha uma locadora de vídeo eu perguntava se vendia fitas. Quase todo o dinheiro de mesada ou presente que ganhava eu gastava na compra de filmes. Meu vício era tão grande que nem me dei conta das 450 fitas que havia adquirido em pouco tempo.

Ganhando dinheiro

Com a mania crescente e com tantos filmes em casa, comecei a ganhar um pouco de dinheiro com as fitas que tinha ao alugá-las para amigos, familiares e colegas de escola. É sempre legal recordar meu quarto que parecia uma locadora. A prateleira que um dia serviu de suporte para a coleção de latinhas de cerveja, se tornou a bancada de exposição de fitas e as paredes quase não haviam espaços brancos devido ao punhado de pôsteres e banners que ali estavam pregados.

A paixão era tanta que o meu primeiro emprego foi uma locadora de vídeo perto de casa, a extinta Cinema Vídeo, em 2000. Meus conhecimentos sobre a sétima arte e minha motivação fizeram com que o dono da tal empresa me desse a oportunidade de trabalhar com algo que eu gostava.

A experiência por quase um ano na locadora foi de grande valia para o meu desenvolvimento, como o fato de vivenciar responsabilidades, no relacionamento de diversos tipos de pessoas e na aquisição de frieza e esperteza para lidar com inúmeras situações.

Além disso, ganhei respeito e a confiança dos clientes ao praticar meus conhecimentos de cinéfilo na indicação de filmes. De 2002 a 2003, também trabalhei no mesmo ramo, na Class Club, e pude reviver situações com uma intensidade maior, o que também foi muito interessante.

Crítica cinematográfica

A então novidade chamada DVD, que surgiu no Brasil no final da década de 90, abriu ainda mais a minha cabeça para o universo do cinema e isso me fez aprimorar minhas opiniões. A mídia possibilita uma interação com o espectador ao apresentar vasto material sobre filmes, como documentários sobre a produção, cenas cortadas, entre outras curiosidades.

Ver bastidores, detalhes de cenas e explicações de construção de personagens, cenários, trilha sonora e efeitos visuais me fascinava e isso me fez vender as fitas para investir e colecionar essa nova mídia.

A cada filme visto, meu censo crítico sobre narrativas e termos técnicos (roteiro, fotografia, atuações, entre outros) aumentava e esse ‘acúmulo opinativo’ me motivou a registrar minhas impressões sobre filmes e foi aí que surgiu a ideia de escrever críticas de cinema.

O ‘boom’ foi após a sessão de “Corpo Fechado”, em 22 de setembro de 2001. Daí em diante, expressar sentimentos, interpretar situações e analisar termos técnicos propostos pelas produções foram uma revolução em minha vida.

Inicialmente, publicava meus textos em espaços destinados ao internauta em sites sobre cinema e em blogs próprios. O universo da crítica cinematográfica ainda me fez conhecer cinéfilos, ganhar apreciadores, melhorar a minha escrita, enriquecer meu vocabulário e impulsionar uma maior frequência na leitura.

Formação superior

Após o insucesso ao cursar administração com ênfase em marketing, o cinema e a escrita pesaram na escolha do próximo curso e foram responsáveis pelo destaque entre professores em minha graduação em jornalismo. Foi na faculdade, aliada aos mestres acadêmicos e a prática do curso, que pude dar passos mais largos na minha carreira como crítico.

A divulgação de meus textos também teve um alcance maior na faculdade. Além das postagens na internet e em alguns impressos (fanzines e em um jornal de Belo Horizonte), passei a fazer parte da equipe do laboratório de jornalismo online que tinha o extinto site especializado em cinema denominado Union. Nele, eu era o principal fornecedor de críticas do acervo da tal ‘revista eletrônica’.

Foi na faculdade que me orgulhei em saber que um de meus textos havia sido publicado em um livro didático sobre a língua portuguesa (“Resenha”, de Anna Rachel Machado, Eliane Lousada e Lília Santos Abreu-Tardelli - 2005) como um exemplo de se produzir uma resenha.

O reconhecimento por meio de trabalhos acadêmicos me deu ainda mais fôlego para escrever textos e até o final do curso de jornalismo havia feito mais de 450 críticas.

Lixeiro do Cinema

Durante anos me dedicando a sétima arte, aprendi a apreciar todos os gêneros, no entanto, eu tinha meus preferidos e 60% das sessões eram procedentes de filmes hollywoodianos. Portanto, a maioria dos meus textos era de produções comerciais estadunidenses.

Certo dia, um professor de faculdade, que era um dos coordenadores do tal laboratório de jornalismo online, me fez uma pergunta curiosa e me questionou sobre o porquê da preferência em assistir ‘lixos de Hollywood’, uma vez que seu gosto cinematográfico tendia ao cinema europeu.

Minha resposta foi rápida e direta: “professor, o ‘nosso site’ parece ser voltado para ‘filmes de arte’ e eu faço textos para a maioria dos ‘consumidores’, ou seja, alguém tem que mexer na ‘lata de lixo’ aqui e esse alguém sou eu!”. Foi baseado neste diálogo que me inspirou a criar o blog Lixeiro do Cinema, o meu atual canal de publicações de críticas que completa um ano em outubro de 2011.

10 anos

Me formei em jornalismo com monografia sobre cinema, alcancei a marca dos 500 textos feitos e minha ‘carreira de crítico’ deu nova guinada com o blog Lixeiro do Cinema. Se recordar é viver, resolvi fuçar meu passado e me surpreendi com algo que me emocionou. Estava prestes a comemorar uma marca histórica em minha vida: 10 anos escrevendo sobre cinema.

O tempo passou e nem percebi que foi tão rápido. Já estou com quase 30 anos, vi mais de 1700 produções, completei 10 anos de carreira/hobbie e escrevi quase 600 textos. Foi uma década de descobertas e de aprendizagem que abriu a minha cabeça para o mundo e me possibilitou um acompanhar tendências, assimilar novas técnicas e mudanças e, sobretudo, a apreciar a arte de uma forma mais detalhista.

Tudo isso é fruto do poder do cinema em minha vida, a arte que faz emocionar ao misturar as essências de todas as outras artes e que é uma das responsáveis na formação cultural e intelectual do ser humano.

Os primeiros 10 anos são apenas o começo! Que venham outras décadas!