sábado, 10 de novembro de 2012

Transformers (Trilogia)

A trilogia “Transformers” (“Transformers”, “A vingança dos derrotados” e “O lado oculto da lua”) pode ser algo interessante em relação ao conteúdo técnico ou pode ser a maior bobagem no que diz respeito ao seu conteúdo narrativo. Entretanto, como a técnica supera qualquer defeito aqui, esta saga é entretenimento garantido para quem procura muita ação com efeitos visuais e sonoros de primeira.

Baseado em brinquedos, desenhos animados e quadrinhos da década de 80, a versão cinematográfica de “Transformers” só saiu do papel quando Steven Spielberg decidiu encarar a produção executiva, o que animou Michael Bay de tocar o projeto como diretor, um dos ‘bam bam bans’ do cinema na arte de comandar pirotecnia e adrenalina em cenas de ação.

A premissa é um tanto quanto fantástica, clichê e divertida. Os Transformers são seres alienígenas mecânicos e inteligentes que foram quase extintos por causa de uma guerra apocalíptica entre suas raças. Com a destruição do planeta natal, Cybertron, alguns desses aliens se esconderam na Terra na forma de pequenos e grandes aparelhos robóticos (automóveis, aeronaves e objetos eletrônicos).

A parte boazinha dos ETs que se aliaram aos terráqueos são os Autobots e seus rivais que querem destruir e escravizar os seres humanos para reconstruírem um novo lar são os Decepticons. E a história entre um filme e outro é basicamente o ataque dos Decepticons liderados por Megatron contra a defesa dos Autobots do sempre político Optimus Prime.


No geral, em termos de realização, ambas as sequências estão no mesmo nível. A narrativa dos três longas não dispensa uma vírgula da boa e velha cartilha da ‘cultura de massa’ que Hollywood tanto gosta de promover em filmes desse gênero: batalha entre o bem e o mau, criação de estereótipos, identificação do público para com os herois, o romance entre o mocinho e a mocinha, a mocinha em perigo, o tradicional happy end, entre outros.

Os pontos negativos da saga são as longas durações (cada um tem mais de 2h20m) e o fraco roteiro dos três filmes (“A vingança dos derrotados” tem o pior deles). Em diversos momentos, os scripts forçam o espectador a engolir furos e explicações que soam inconvincentes por serem jogadas ‘de qualquer jeito’ na trama. Ainda que tenha inúmeros equívocos em seu enredo, o roteiro de “O lado oculto da lua” é o ‘menos pior’ da série e desenvolve melhor as situações, inclusive insere uma interessantes relação com fatos históricos.

E como não se deve levar a sério esse tipo de franquia, a trilogia se sustenta praticamente pelas qualidades técnicas, sobretudo visuais e sonoras, que incorporam as impressionantes cenas de ação intercaladas com bom humor (ora pastelão ora situacional), o principal argumento que equilibra o absurdo e a harmonia narrativa.

A pancadaria aliada ao realismo gráfico e ao ‘jeito Michael Bay de fazer cinema’ (ritmo alucinante, edição estilo vídeo clipe com cortes rápidos, câmera inquieta, tomadas lentas, planos sequências, atos de bravura, etc.) deixam as cenas bastante empolgantes. Claro, algumas exageram na voltagem, mas não deixam de ser divertidas.

Há uma sequência curiosa em “O lado oculto da lua”. Numa perseguição entre robôs numa rodovia, o próprio Michael Bay se auto plagiou ao inserir uma cena idêntica retirada de seu filme “A ilha” (2005). Nesse longa, um carro é destruído por uma placa de ferro que se soltou de um caminhão e em Transformers a tal placa é substituída graficamente por um robô.

Não só de perseguições, tiroteios, explosões e destruições urbanas prendem a atenção, as transformações de automóveis ou aeronaves em robôs com texturas metálicas realistas são grandes atrativos, méritos para a competentíssima equipe da Industrial Light and Magic, empresa de George Lucas responsável pelos efeitos visuais da trilogia.

A transformação do chefe dos Autobots de caminhão para robô, por exemplo, movimenta cerca de 10 mil peças digitais! Isso pode ser visualmente rico em dealhismo, mas, também, pode deixar os espectadores cansados de tentar apreciar tantos detalhes em meio a frenesi de Michael Bay. Os mais exigentes podem desaprovar esse excesso visionário, tanto dos robôs como em algumas sequências movimentadas.

Quanto ao elenco, todos os atores estão à vontade em seus papeis, principalmente aqueles que precisavam dar ares cômicos aos seus personagens, como John Turturro. O protagonista Shia LaBeouf foi uma grata surpresa e se saiu bem ao expressar humor e ao interagir com os robôs virtuais, ao contrário das musas Megan Fox e Rosie Huntington-Whiteley, que deram uma certa beleza aos filmes, mas sobraram no quesito canastrice.

A pirotecnia de Transformers foi extremamente lucrativa nas bilheterias, o que confirma seu sucesso como entretenimento. Em todo o mundo, a trilogia arrecadou mais de 2,6 bilhões de dólares. Inclusive, “O lado oculto da lua”, o mais deslumbrante e rentável da série (US$ 1.1 bi), passou a figurar na 4ª posição do ranking em arrecadação no cinema (sem ajuste de inflação), ultrapassando “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”.

E mais grana pode deixar os realizadores Hasbro e Paramount Pictures ainda mais ricos, pois há projetos para mais dois longas da franquia. Agora é aguardar.

Transformers
EUA, 2007 - 144 minutos
Ação / Ficção científica
Direção: Michael Bay
Roteiro: Roberto Orci Alex Kurtzman
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Rachael Taylor, Tyrese Gibson, Jon Voight, John Turturro.
Cotação: * * *

Transformers – A vingança dos derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen)
EUA, 2009 – 147 minutos
Ação / Ficção científica
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger, Roberto Orci, Alex Kurtzman
Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, John Turturro, Isabel Lucas, Ramon Rodriguez, Rainn Wilson, Matthew Marsden, Kevin Dunn, Julie White
Cotação: * *

Transformers – O lado oculto da lua (Transformers - Dark of the Moon)
EUA, 2011 - 157 minutos
Ação / Ficção científica
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco: Shia LaBeouf, John Turturro, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rosie Huntington-Whiteley, Patrick Dempsey, Kevin Dunn, John Malkovich, Frances McDormand, Ken Jeong, Leonard Nimoy, Peter Cullen
Cotação: * * *