sexta-feira, 12 de abril de 2013

Argo

“Argo” não é original, não tem trama complexa e sua estória trivial só ganhou visibilidade por inspirar uma ação incrivelmente verdadeira. Sua notoriedade não se deu por sua receita, mas de quem colocou a mão na massa para fazer de um simples bolo uma torta saborosa. E é isso que o filme trás de melhor, um suspense irresistível como não se via há tempos e um Ben Affleck na direção que está cada vez mais em destaque no cargo.
Quando a embaixada dos Estados Unidos é invadida no Irã no final dos anos 70 por adeptos do líder aiatolá Khomeine, seis norte-americanos se refugiam na casa do embaixador canadense. Diante da situação, a CIA decidiu acionar o plano de resgate um tanto quanto curioso do espião Tony Mendez (Affleck), que diz ser “a melhor ideia ruim que temos”: inventar um filme de ficção científica à lá “Star Wars” com locações em terras iranianas em que os refugiados seriam membros da produção, o que serviria de disfarce para fugirem do país. A premissa só não é uma grande gafe da espionagem porque a tal ideia, inesperadamente cinematográfica e surrealista, existiu.
A previsibilidade narrativa e o clichê temático não tiram o brilho de “Argo”. A essência está no suspense que é pontual e envolvente, graças a ótima direção de Ben Affleck que conseguiu passar a ideia de que toda a projeção se parecesse com um extenso clímax, algo difícil de se ver no cinema. Talvez, “Apollo 13” tenha sido uma das produções que logo associei com a sensação de ‘ápice contínuo’.
A cada momento, há uma situação de urgência que deve ser resolvida, o que faz o espectador ficar cada vez mais tenso ao ver decisões rápidas para um problema que parece não ter solução. Isso favorece o ritmo intenso e, principalmente, o suspense que é orquestrado de forma objetiva por Affleck.
Além do ótimo roteiro (que trás críticas à ‘indústria da mentira’ Hollywood e pitadas de humor com os coadjuvantes Alan Arkin e John Goodman) e da ambientação realista, não se pode deixar de mencionar a competente e ágil edição que articula bem as ações e deixa o longa ainda mais contagiante. “Argo” pode não ser inesquecível, mas é um exemplo de entretenimento de qualidade e, sobretudo, prova de que não se precisa de narrativas complexas para se fazer um bom filme.
Argo
EUA , 2012 - 120 min.
Drama / Suspense
Direção: Ben Affleck
Roteiro: Chris Terrio, Joshuah Bearman
Elenco: Ben Affleck, Alan Arkin, John Goodman, Bryan Cranston, Tate Donovan, Taylor Schilling, Nelson Franklin, Kerry Bishé, Kyle Chandler, Rory Cochrane, Christopher Denham, Clea DuVall, Victor Garber, Zeljko Ivanek, Richard Kind
Cotação: * * * * *