quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Oblivion

'Nada se cria, tudo se copia'. A expressão coloca em cheque tudo que chamamos de originalidade na atualidade e isso reflete no cinema, principalmente no gênero da ficção científica que exige muita criatividade para que determinado trabalho fique convincente na tela. "Oblivion" é um exemplo disso, não de originalidade, mas de criatividade na interatividade de inspirações e na direção eficiente de Joseph Kosinski ("Tron, o legado") que expõe clichês de maneira contagiante.
 
Depois que a Terra foi invadida por alienígenas e destruída após uma grande guerra, os terráqueos passaram a habitar Titã, uma das luas do planeta Saturno. Para garantir a sobrevivência dessa população, uma energia vinda da água do mar é extraída por gigantescas máquinas que enviam o tal recurso para Titã. Um dos objetivos de Jack Harper (interpretado pelo sempre competente Tom Cruise) é proteger as tais máquinas dos rebeldes Scavs. A realidade de Jack começa a ser questionada ao resgatar uma mulher com quem sonha todas as noites.
 
"Oblivion" parece se basear em outros longas para criar sua atmosfera. Tem um pouco de "2001 - Uma odisseia no espaço", "O exterminador do futuro", "Lunar", "Matrix", entre outros. Essas inspirações, aliada ao atrativo tom futurista apocalíptico, não incomodam, pelo contrário, surpreendem pela condução precisa de Kosinski que evita a frenesi, investe em um ritmo mais lento e é pontual no desenvolvimento do drama e da ação.
 
Se a criatividade sobressai a falta de originalidade, "Oblivion" se destaca, também, pelo interessante roteiro que trás didatismo bem encaixados, uma narrativa que procura não se distanciar da lógica proposta e uma intrigante trama que provoca reflexões em seu clímax. O que pode ser um ponto negativo aos olhos dos mais exigentes é o enredo trivial travestido de complexidade, uma conclusão politicamente correta e a convencional 'rebeldia contra o sistema', argumentos que têm sido incansavelmente trabalhado no cinema.
 
A parte técnica é um deslumbre a parte. Ainda que a direção de arte tenha economizado no aspecto 'apocalíptico' - mas não deixa de ser chamativo, o design futurístico tem visual modernamente clean com traços poucos rebuscados e com tecnologias, aliadas aos efeitos gráficos de primeira, que ajudam na espetacularização de diversas cenas. "Oblivion" pode não ser a melhor ficção do ano, mas é uma das mais bem conduzidas.
 
Cinema é entretenimento, emoção, reflexão e, com o perdão do trocadilho, é que nem a pirataria, se você não se rendeu com o original, divirta-se com a cópia ou 'oblivion'.
 
Oblivion
EUA, 2013 - 126 min.
Ficção científica
Direção: Joseph Kosinski
Roteiro: Joseph Kosinski, Karl Gajdusek, Michael Arndt
Elenco: Tom Cruise, Morgan Freeman, Olga Kurylenko, Andrea Riseborough, Nikolaj Coster-Waldau, Melissa Leo
Cotação: * * * * *